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Origens


História relatada por Roberto Edwards, fotógrafo e editor, criador e diretor do projeto.

As origens de Corpos Pintados começam uma década antes de sua primeira apresentação pública em 1991. Ao recorrer aos inícios deste projeto, posso estabelecer alguns marcos relevantes que me motivaram a levá-lo adiante, iniciando pelo descobrimento de obras importantes de duas pessoas durante a segunda metade dos anos 70.

A primeira foi o dramático ensaio da fotógrafa alemã Leni Riefenstahl sobre a vida dos Nuba, nos confins do Sudão. Em imprevistas viagens a territórios ainda isolados da intervenção ocidental, Riefenstahl pôde registrar uma cultura que tinha o corpo como protagonista, pintando-o e adornando-o com criatividade e originalidade únicas. Ainda assim, a tradição de aplicar de aplicar cores e desenhos sobre seus corpos não se circunscrevia aos rituais, como é habitual na maioria das tribos; Riefenstahl descobriu que os Nuba pintavam-se diariamente segundo seu estado de espírito. O conhecimento deste fato foi uma revelação de grande transcendência para mim.

O segundo trabalho que me impactou nessa mesma época foi o desenvolvido pela artista Vera Lehndorff, também alemã, junto ao fotógrafo Holger Trülzsch. Lehndorff, até então famosa no mundo da moda como a modelo Veruschka, fotografou-se contra uma grande variedade de cenários como muros e portas, ou paisagens abertas, e também se disfarçou com diferentes trajes que pintava diretamente sobre sua pele, em um jogo criativo que refletia a realidade, a ficção, e nossa percepção de ambas.

A motivação dos Nuba para pintar o corpo e os trabalhos de Lehndorff e Trülzsch desembocaram finalmente em minha concepção do projeto Corpos Pintados, mostrando-me o potencial expressivo que podiam oferecer estas linguagens à arte contemporânea.

©Taller Experimental Cuerpos Pintados es una marca registrada de Fundación América.
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